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Habilidosa, perseverante, acessível

Helga Schmid é a nova secretária-geral da OSCE. A principal diplomata alemã é considerada amigável no tom e dura nas negociações. 

Hans Monath, 21.12.2020
Helga Schmid, secretária-geral da OSCE
Helga Schmid, secretária-geral da OSCE © dpa

Há pessoas que deram contribuições importantes para a integração da Europa durante muitos anos e, no entanto, são conhecidas apenas por um pequeno público especializado. Uma delas é a diplomata alemã Helga Schmid, que trabalha para a União Europeia desde 2006 e chefiou o Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) como secretária-geral desde 2016. Ela desempenhou um papel decisivo na construção desta agência, que hoje tem cerca de 4.500 funcionários – e assim, fez muito pela Política Externa e de Segurança Comum dos países da UE.

 

A diplomata de 60 anos de idade poderá fazer mais aparições públicas no futuro e ser mencionada com mais frequência nos noticiários. Helga Schmid é a nova secretária-geral da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), como foi decidido pelos ministros das Relações Exteriores dos 57 países da OSCE no início de dezembro de 2020. A diplomata nascida na Baviera, que entrou para o Ministério das Relações Externas no final dos anos 80, atingirá assim o ponto por ora mais alto da sua carreira diplomática.

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A OSCE é um produto da política de distensão dos anos 1970, e seus membros incluem todos os países europeus, Turquia, Mongólia, todos os Estados sucessores da União Soviética, assim como os EUA e o Canadá. Garantir estabilidade, paz e democracia são seus principais objetivos. Ela também realiza missões de monitoramento em conflitos armados, como na Ucrânia oriental, onde os separatistas apoiados pela Rússia e os militares ucranianos estão frente a frente, e em Nagorno-Karabakh, onde o Azerbaijão impôs pesadas perdas à Armênia na primeira guerra verdadeira de drones da história, no final de 2020.

Como secretária-geral, inicialmente eleita por três anos, a diplomata alemã desenvolverá ainda mais a estrutura da organização e iniciará processos de diálogo político entre os países membros, como representante do presidente da organização – atualmente, o primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama. Ela usará seus muitos contatos para detectar numa fase inicial as tensões e conflitos na Europa, antes que eles possam se espalhar.

Helga Schmid está diante de uma tarefa que é tão difícil quanto importante.
Heiko Maas, ministro alemão das Relações Externas

Segundo o ministro alemão das Relações Externas, Heiko Maas, ninguém é mais adequado do que Schmid para tornar a OSCE mais capacitada a agir novamente, depois que ela foi envolvida numa crise, em meados de 2020, por causa do bloqueio de alguns países membros contra a reeleição da sua liderança na época. A diplomata está diante de “uma tarefa que é tão difícil quanto importante”, disse Maas. Ele tem “grande confiança nela”.

Nesta avaliação, Maas não está sozinho no Ministério das Relações Externas – o ex-ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer (Os Verdes, no cargo de 1998 a 2005), já elogiara então publicamente as habilidades de Schmid, a quem ele nomeou sua chefe de gabinete. Antes disso, Helga Schmid, que estudou línguas românicas e inglês, tinha trabalhado no escritório ministerial do predecessor de Fischer, Klaus Kinkel.

As mulheres são as melhores negociadoras.
Helga Schmid, secretária-geral da OSCE

Joschka Fischer, político dos “Verdes”, conhecido por sua retórica descritiva, por vezes se referiu à sua colega Schmid como uma “hiena-malhada”. Isto foi feito como elogio. Esta maior espécie de hiena tem um sistema social extraordinariamente complexo e é considerada uma caçadora particularmente hábil e altamente persistente.

Os colegas também elogiam a agilidade de Schmid, seu jeito prático, sua capacidade de trabalhar em rede e, acima de tudo, seu talento para conquistar os interlocutores e interlocutoras através da simpatia. “As mulheres são as melhores negociadoras”, diz ela.

Negociação do acordo sobre o programa nuclear iraniano

A diplomata é tida como dura com ao objeto de negociação – algo que a manteve em boa posição como representante da UE nas negociações sobre o programa nuclear do Irã, que chegou a uma conclusão em 2015, após anos de duras disputas. Ainda hoje, predomina no Ministério das Relações Externas a reputação de Helga Schmid, de conhecer os detalhes complicados do acordo nuclear melhor do que ninguém. A diplomata havia negociado passo a passo a redação do acordo de 100 páginas com o então negociador chefe do Irã e mais tarde presidente, Hassan Rohani.

Por sua dedicação e sucesso, o então ministro alemão das Relações Externas, Frank-Walter Steinmeier, concedeu-lhe a Cruz de Mérito Federal em Bruxelas, em novembro de 2015. Durante doze anos, a executiva da UE tinha trabalhado com a “britadeira diplomática na mão” para conseguir um avanço, elogiou Steinmeier, que mais tarde tornou-se presidente alemão.

Após a eleição de Joe Biden como presidente dos EUA, os países da UE esperam agora salvar o acordo nuclear com o Irã, que o antecessor de Biden, Donald Trump, havia rescindido e queria fazer fracassar através de sanções específicas.

Helga Schmid terá bastante para fazer como chefe da OSCE, mas sua experiência também poderia ajudar a reavivar o tratado nuclear. Se necessário, segundo círculos diplomáticos, será solicitado por telefone o conselho da colega, que está familiarizada com todos os detalhes do acordo. No futuro, ela trabalhará na sede da OSCE e, portanto, lá onde ela negociou com os representantes do Irã durante anos – em Viena.

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